terça-feira, 17 de maio de 2011

"Telepatia" e Linguagem dos Gêmeos

Esse vídeo, bem famoso no youtube, demonstra a incrível capacidade dos gêmeos de comunicar-se sem palavras. Utilizando sons e imitações, eles propõem brincadeiras e conversam sobre o que pode ou não pode, significando de outra maneira, em um código próprio, suas experiências. O processo de diferenciação e constituição dos gêmeos se dá de uma maneira diversa das crianças que nascem sozinhas. Eles possuem interação desde dentro do útero, o que promove uma capacidade de compreensão e desafios diferentes das crianças que estão sozinhas. (para ver mais, leiam PIONTELLI, A. De feto a criança: um estudo observacional e psicanalítico.  Trad. Joana Wilheim, Nicia Lyra Gomes e Sonia Maria de Godoy. Rio de Janeiro, Imago, 1992.) A vida intra-uterina, hoje em dia, é muito estudada graças à tecnologia. O feto percebe sons, engole, sonha, reconhece vozes e as diferencia e expressam sinais emocionais de agrado e desagrado. Piontelli, primeira grande pesquisadora a respeito, mostra que no segundo trimestre de gestação o bebê já é capaz de responder a estímulos táteis, de pressão, cinestésicos,  gustativos e dolorosos, e é possível identificar características e padrões próprios a cada um e que se mantém durante toda a vida da criança. Por isso, a relação entre o que trazemos geneticamente e o que aprendemos já se inicia na vida intrauterina e baseia o que chamamos personalidade desde cedo. Falar com os bebês, dentro da barriga, já estabelece uma relação real e viva com eles, como nos mostram pesquisas de Szejer (Nove meses na vida da mulher, 1997) que nos conta como o bebê, quando nasce e é retirado da barriga da mãe, costuma se acalmar quando reconhece a voz do pai. No caso de gêmeos, trigêmeos e quadrigêmeos, imaginem só, as relações se dão como uma verdadeira "população"! Por isso a importância, dada por todos aqueles que lidam com bebês, que os pais se relacionem afetivamente, com palavras e toques desde o princípio da vida desses pequenos. É muito importante que todos os bebês, mas principalmente os gêmeos, recebam a ajuda do adulto para que sintam interesse em "falar a nossa língua": para isso, precisamos falar com eles e esperar suas respostas. Caso contrário, eles correm o risco de aprisionar-se no caminho mais fácil de criarem um mundo próprio para si, se os pais (incluindo o pai e a mãe, já que eles já os conhecem muito bem lá dentro!!) resolverem ficar de fora...

Nenhum comentário: