sexta-feira, 20 de maio de 2011

Música aos Bebês E Crianças (pequenas e grandes)

A linguagem se desenvolve como música e movimento. Desde bem pequeno, o bebê dentro da barriga da mãe já percebe os sons, e nasce imerso em uma cultura que guiará a trança entre seu desenvolvimento e os estímulos que recebe. O bebê precisa movimentar-se, ficar no chão, ser olhado, tocado: ele precisa que falem com ele. A relação dos seres humanos com a música é algo tão antigo, tão fundamental, que podemos observar como os bebês reagem ao ritmo e à cadência da música que os envolve. A música ajuda na fala, na coordenação motora ao adquirir ritmo e desperta emoções variadas. Ajuda a elaborar, colocar em movimento a criação. A música é extremamente poderosa porque ela resolve coisas dentro de nós que as palavras não conseguem, imaginem o papel dela no mundo não verbal dos bebês.
 Aliás, em termos de imersão na cultura, variedade é a palavra: para expandir sua capacidade criativa, o cérebro precisa receber diferentes  experiências. A criança nunca experimenta nada duas vezes: por isso ela pode ver um mesmo filme todos os dias. A cada vez, reconhece, discrimina detalhes, percebe sentimentos e sensações diferentes.
Por sermos responsáveis pela seleção do que chega às crianças e comporá seu repertório emocional e cognitivo, pensemos com cuidado a que estamos expondo esses pequenos "compositores" do próprio jeito de ser. Como vivemos em um mundo que não respeita o infantil, suas necessidades e cuidados, pense o que seu filho está "ingerindo", porque isso, mais cedo ou mais tarde, virá para fora de uma maneira ou de outra.   Todos temos liberdade em oferecer aquilo que mais nos apraz. Como acredito que a indústria massifica e impõe as mesmas fontes em festas infantis, eu prefiro pensar que a variedade também deve inclui formas interessantes (para cada um) de arte. Aqui segue uma seleção como sugestão, mas que (jamais!) deve ser seguida à risca, afinal, variedade e qualidade devem ser mediadas pela relação que se tem com a criança: essa sim, indiscutivelmente, deve ser de afeto e cuidado.


1980 - ARCA DE NOÉ VINÍCIUS DE MORAIS (1 E 2)

PALAVRA CANTADA (TODOS!!)

PANDA LE LÊ (BRINQUEDOS CANTADOS)


ADRIANA CALCANHOTO (PARTIMPIMPIM)









terça-feira, 17 de maio de 2011

"Telepatia" e Linguagem dos Gêmeos

Esse vídeo, bem famoso no youtube, demonstra a incrível capacidade dos gêmeos de comunicar-se sem palavras. Utilizando sons e imitações, eles propõem brincadeiras e conversam sobre o que pode ou não pode, significando de outra maneira, em um código próprio, suas experiências. O processo de diferenciação e constituição dos gêmeos se dá de uma maneira diversa das crianças que nascem sozinhas. Eles possuem interação desde dentro do útero, o que promove uma capacidade de compreensão e desafios diferentes das crianças que estão sozinhas. (para ver mais, leiam PIONTELLI, A. De feto a criança: um estudo observacional e psicanalítico.  Trad. Joana Wilheim, Nicia Lyra Gomes e Sonia Maria de Godoy. Rio de Janeiro, Imago, 1992.) A vida intra-uterina, hoje em dia, é muito estudada graças à tecnologia. O feto percebe sons, engole, sonha, reconhece vozes e as diferencia e expressam sinais emocionais de agrado e desagrado. Piontelli, primeira grande pesquisadora a respeito, mostra que no segundo trimestre de gestação o bebê já é capaz de responder a estímulos táteis, de pressão, cinestésicos,  gustativos e dolorosos, e é possível identificar características e padrões próprios a cada um e que se mantém durante toda a vida da criança. Por isso, a relação entre o que trazemos geneticamente e o que aprendemos já se inicia na vida intrauterina e baseia o que chamamos personalidade desde cedo. Falar com os bebês, dentro da barriga, já estabelece uma relação real e viva com eles, como nos mostram pesquisas de Szejer (Nove meses na vida da mulher, 1997) que nos conta como o bebê, quando nasce e é retirado da barriga da mãe, costuma se acalmar quando reconhece a voz do pai. No caso de gêmeos, trigêmeos e quadrigêmeos, imaginem só, as relações se dão como uma verdadeira "população"! Por isso a importância, dada por todos aqueles que lidam com bebês, que os pais se relacionem afetivamente, com palavras e toques desde o princípio da vida desses pequenos. É muito importante que todos os bebês, mas principalmente os gêmeos, recebam a ajuda do adulto para que sintam interesse em "falar a nossa língua": para isso, precisamos falar com eles e esperar suas respostas. Caso contrário, eles correm o risco de aprisionar-se no caminho mais fácil de criarem um mundo próprio para si, se os pais (incluindo o pai e a mãe, já que eles já os conhecem muito bem lá dentro!!) resolverem ficar de fora...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A criança, suas fases e a importância da FRUSTRAÇÃO

Hoje nós sabemos muito sobre as crianças, e esse "saber" deveria nos ajudar a nos relacionar com elas. Mas nem sempre isso acontece, porque o infantil, em nosso mundo, é algo muito pouco valorizado...O nosso saber se desconectou com a dimensão cotidiana, prática, e dizemos uma coisa, fazendo outra. Nesse sentido, as pessoas que lidam com crianças precisam ajudá-las, favorecê-las, porque disso depende a felicidade dentro de nós mesmos. O infantil, sem dúvida, é a obra prima da nossa felicidade. É a mágica da vida que desenrola, desenvolve, gera, transforma, e nos une todos em um mesmo processo: aqui, nesses vídeos, vemos a vida, não como "bios"(organismo) mas como um conjunto de forças misteriosamente conectadas que nos "faz andar"rumo ao conhecimento de nós mesmos e ao reconhecimento do outro. A palestra, feito pelo Ivan Capellato (psicoterapeuta), mostra uma das maneiras de compreender e verificar como nós todos, em cada momento da vida, nos apresentamos e nos relacionamos com os objetos e depois com as pessoas que amamos. A criança, em cada fase, para brincar de reconhecer os pequenos em suas típicas características e aprender a lidar com elas. Para mim, uma das principais passagens diz respeito a "tolerância à raiva da frustração" que devemos ter em relação à criança em seu início de vida, e que gera nela a capacidade de suportar o lado mau do humano e, consequentemente, a amar a si mesmo.